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Sem título

"Tão perto e tão longe assim como o macaco apertando o bong"
Escrito por Cebola às 12h37
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Receitas Musicadas

(Refazenda – Gilberto Gil – 1975)
Já na apresentação do prato (capa) percebemos a dimensão espiritual desse disco. Partindo da idéia de que nos transmutamos em nossa alimentação, o Refazenda é um banquete ideal para qualquer desde que estejamos despertos; receptivos à totalidade da percepção. Um dos seus principais ingredientes é a simplicidade, elemento que permeia o arranjo de todas as canções.
Faixa-a-faixa:
“Ela”: Sem gorduras, é o tira-gosto do disco em forma de declaração de amor à música;
“Tenho sede”: metalinguagem nutricional conduzida pela sabedoria nordestina;
“Refazenda”: Momento em que o disco mergulha na totalidade; no saborear da compaixão diante das coisas vivas por meio da aceitação dos temperos da natureza;
“Pai e mãe”: alarga a compaixão da canção anterior a partir da figura dos genitores;
“Jeca Total”: Também com pitadas nordestinas, dá vazão metafórica à política, tema comum nas conversas de uma boa refeição;
“Essa é pra tocar no rádio”: Oferece um suculento prato de liberdade, ultrapassando as limitações nutricionais do fast-food radiofônico;
“Ê, povo, ê”: De tão doce, é uma sobremesa antes de repetir o prato de almoço;
“Retiros Espirituais”: um chá para abrir o apetite às pequenas coisas;
“O rouxinol”: Se assemelha ao ato de brincar com a comida no momento da alimentação, numa demonstração de que a atenção plena à alimentação pode levar até mesmo à amizade;
“Lamento Sertanejo”: Ápice poético que, mesmo remetendo a uma janta com aipim e café frios, consegue transmitir a beleza amarga da contrariedade do homem diante das suas próprias cadeias alimentares.
“Meditação”: Sesta maravilhosa baseada na imersão nos processos digestivos seguintes a mastigação. Mesmo encerrado o disco, com essa canção o banquete continua. Afinal, já não somos os mesmos, a alimentação nos modifica; o Refazenda nos humaniza.
Escrito por Cebola às 12h38
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Senha 139 - à espera da identificação

Que orgulho bonito esse do pai que conduz o filho até o guichê para retirar a carteira de identidade. Muito por saber a importância que a documentação possui na burocracia que rege o mundo. Confere os dados, ergue-se de novo olhando pro filho e sorri ao pensar: “A partir de hoje o meu filho vira gente!”, como numa espécie de rito de passagem que se completa, da certidão à identidade.
Entre os filhos, o contagiante é a ansiosidade pela documentação. Verificam a pilha de formulários na espera pelo chamado do seu nome; perguntam ao fim de cada etapa qual será a seguinte; curtem uns com os outros a iminência de ter o documento em mãos. Não vem a hora de poder erguer a identidade como troféu, mostrar a todos com orgulho e depois ouvir os comentários relativos à expressão registrada na foto.
Há pais que levam além dos filhos os sobrinhos, povoando a sala de espera. No espaço há uma interação entre a seriedade de um local oficial ( onde se tiram documentos de identidade) e a liberdade de uma creche infantil ( trânsito livre de crianças saltitantes, barulhentas e vivas em férias). Nesse encontro reside um saudável conflito de gerações: vidas que se entregam sem rigor a entrar no mundo oficial tirando a identidade e outras vidas já vividas que agem a todo minuto pela manutenção da ordem.
Escrito por Cebola às 10h22
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Lugar Comum (Gilberto Gil/João Donato)
Beira do mar Lugar comum Começo do caminhar Pra beira de outro lugar
Beira do mar Todo mar é um Começo do caminhar Pra dentro do fundo azul
A água bateu O vento soprou O fogo do sol O sal do senhor
Tudo isso vem Tudo isso vai Pro mesmo lugar De onde tudo sai

Hoje tem Som Brasil dedicado a Gilberto Gil; e esse é o gancho que me faltava pra dizer o quanto esse ser de alma clarividente realçou a minha vida nos últimos meses. Tantas clarividências para chegar a essa respiração diferente, essa audição diferente, um olhar diferente, uma vida inteira pela frente. Como a leitura posterior será ainda mais reveladora, deixo registrado a delícia constante que foi cohecer a obra do Gil neste ano de 2007 - esse 7 cabalístico que rege os homens; mergulhar no universo azul da Refazenda; sentir a herança africana em Refavela e saborear cada bondade e vida de suas canções. A partir de 2008, ele abandona o Ministério e volta aos palcos. Uma pena que muita gente vai comemorar esse fato por desconhecer a missão realizada pelo Gil pela elevação da cultura do nosso país, mas ele não quer mesmo os louros: o principal programa do ministério, o Mais Cultura, ele vai celebrar é nos palcos. Primeiro encontro: Gilberto Gil no Festival de Verão!
Escrito por Cebola às 12h41
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"Ela é o Sol e eu o Mar somos muitos carnavais..."
(Caê)
Escrito por Cebola às 12h41
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Pelo uso da borracha

A ordem vigente de digitação é tão intensa que nos reservamos a manuscrever apenas aquilo que já sabemos, daí a propagação dos colecionadores de canetas e a idéia de segurança naquilo que ela transmite à escrita. Não muito pelo discurso ecologicamente sustentável, talvez um pouco mais pelo trabalho exigido pelos apontadores, o lápis, peça chave da criatividade humana, vem sendo renegado pela tecnologia. Se somente com ele se processa a suavidade da macia borracha – nunca fui adepto do manchador de textos chamado corretivo –, vai ao relento ela também, por tabela.
Lembro uma longínqua aula do querido professor Marcelo Rocha, em que, naquela busca constante por novas dinâmicas que lhe é característica, instalou uma roda no pátio e sugeriu que cada um dos alunos depositasse no centro um objeto para representar a escola. Grande Pedro, sempre perspicaz! Depositou no centro do círculo uma borracha! O ato era seguido de uma explicação, com a que ele se saiu: “Eu apagava isso aqui tudo pra começar de novo...”. Taí mais uma utilidade da borracha na página em branco que preenchemos ao longo de nossas vidas: o recurso da memória; a beleza do ato de apagar uma percepção vencida para preenchê-la com outra nova.
O fenômeno da digitação já nasce com essa urgência que tenta se impor ao ritmo de nossas vidas. O ato de deletar não possui o deleite de passar a borracha no texto – o próprio texto físico em si possui outras dimensões de durabilidade e provocação dos sentidos. Acontece que o processo de maturação é vital neste exercício da memória que se expande, da percepção que se transforma. De pouco adianta pudermos apagar um texto a um simples toque, ou até mesmo rescrevê-lo diversas vezes, sem que ele nunca passe pelo período de desapego para com o que estava escrito. Como toda aprendizagem: de pouco adianta adiantar, tentar pular etapas. Como diria BNegão, em insight de luminosa sabedoria na arte da borracharia: “Lento, o novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência/ O processo é lento...”.
Escrito por Cebola às 12h21
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"Odóia,Odoiá eu também quero brincar!"

Teve muita gente batendo o pé para a antecipação do carnaval de 2008 pro fim de janeiro, mas o voto da rainha do mar foi soberano. O dia de Yemanjá vai estrear como extensão da festa momesca em pleno sábado de carnaval, com participação de Carlinhos Brown e possível palco armado no mercado do peixe, o recanto das madrugadas. Não que a festa do dia 2 de fevereiro andasse em baixa - afinal a rainha dos mares é parte dessa magia litorânea do ser soteropolitano -, foi a essência vaidosa que despontou na moça e ela resolveu levantar o seu dia; mostrar que em agitação os mares não devem nada ao Bonfim ou ao reinado do Momo. Yemanjá mergulhou na programação e encantou logo o cacique.
Muita gente ainda vai bater o pé com a profanização da festa que já não é tão sagrada assim: Junta baiano e turista pra oferendar presentes e se acertar com Yemanjá. É dia de sol, pleno verão, que já chama pro banho, mas o mar tá quente - cheio de gente - então desce uma gelada. Tomou uma, toma outra já começa a ficar sociável, paquerar. Vai chegando o fim do dia e a movimentação só aumenta. Pra voltar de ônibus passa pela multidão, encontra conhecido, fica mais um pouco, desce mais uma gelada. Encontrar as pessoas é que é o ato sagrado e serve de álibi à celebração que agora vai se extender à noite do Rio Vermelho com programação exclusiva.
Não se sabe ao certo a aceitação que o novo canto da sereia terá, apenas que aliviará a concentração humana nos cortejos momescos, ampliando o horizonte da festa como anexo do circuito Barra/Ondina. Não vai faltar é bebum cruzando o território sacro que separa o fim do circuito em Ondina até as paragens boêmias do Rio Vermelho, num digno cortejo das águas. Não deve faltar também inspiração ao hitmaker Brown que bem podia tirar da manga uma canção tema do carnaval das águas.
Escrito por Cebola às 17h33
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No Meio Do Mato
Sentado
No Meio Do Mato
Pensando
Sentado
No Meio Do Mato
Sorrindo
Olhando
Sentado
No Meio Do Mato
Tocando
Cantando
Transando
Sentado
No Meio Do Mato
No Meio Do Mato. (Jards Macalé)
Escrito por Cebola às 18h17
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Curvas do Rio (Cebola/Cinha)
O rio atravessa
Eu já não tenho pressa
O que passou já passou
Já passou
Não há linha reta
Se a mente está desperta
Pro amor meu amor
Meu amor
De pouco adiantou adiantar
Eu não quero ver
Onde o rio vai dar
Escrito por Cebola às 10h40
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Reguem as plantas do parque...

Com a volta do projeto música no Parque, as manhãs de domingo retomaram um ótimo roteiro de lazer. No domingo último (21), o Parque da Cidade cedeu seu rupestre espaço à celebração do ritmo jamaicano que tomou dimensões mundiais : o reggae. Ao som da banda *Mosiah, um dos grandes expoentes do gênero na capital, uma imensa e diversificada tribo se reuniu no Anfiteatro Dorival Caymmi, entregue ao sol a pino e disposta a celebrar a vida em canções de elevada positividade.
A Mosiah, liderada por Luciano (vocalista e guitarrista), conta ainda com Daniel Guimarães (baixo), Márcio Luiz (percussão), Marquinhos (bateria) e Paulinho de Jesus (teclado). Em fase de preparação do lançamento do segundo disco, o grupo optou por uma apresentação baseada em composições já consagradas com o público e em pinceladas por sucessos do reggae mundial. Na primeira ala destacam-se a forte presença da baianidade em “Reggae Mandinga” e as de teor mais lírico como “Dor e Desejo” e “Bate forte o coração”; na segunda ala, versões de Bob Marley (Jammin, Is This Love, I shot sheriff) e Jimmy Cliff (versão de Nando Reis para “The Harder They Come”). Até mesmo os chamados de “toca Raul!” foram atendidos com uma versão espirituosa de “Metamorfose Ambulante” de Raul Seixas. Outra grande referência foi a versão de “Domingo no Parque” de Gilberto Gil. Contextualizada, ela gerou uma roda de capoeira no gargarejo do palco. Numa demonstração clara do clima de irmandade presente na relação de algumas bandas de reggae de Salvador - e que muitas vezes se expressa nos organizados festivais que tem trazido grandes nomes do gênero – a Mosiah convidou ao palco Sérgio Cassiano, vocalista da Adão Negro, para entoar seus versos em “Vence tudo” e “Adão Negro”.
No público, o clima de harmonia com o ambiente do parque somou-se a sintonia com a música. Alguns interagiam não só com o palco ou com os mais próximos, mas dançavam o ritmo jamaicano com toda a multidão imersa numa enorme nuvem de fumaça, muitas vezes referenciada por Luciano no microfone. Nas mãos, água ou cerveja pareciam provocar o mesmo efeito na tentativa de amenizar o calor. Muitos dos vendedores ambulantes iam além da prestação do serviço, entregando-se também a celebração instalada. Quando a música encerra, a barriga é quem primeiro reclama. Ela pode até estar vazia, mas numa manhã de domingo com alcances espirituais similares ao das experiências religiosas, a alma volta pra casa preenchida de muita paz e amor.
* A formação original conta também conta com João Paulo (Guitarrista e backing vocal) que não pode comparecer a apresentação.
* Mosiah significa messias no dialeto jamaicano
* Este post é dedicado a memória do cantor Lucky Dube
Escrito por Cebola às 11h50
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Pela lente do amor...

Havia a ferida e neste mesmo lugar há sorrisos: motivações dos segredos que ficaram; alegrias já compartilhadas que já se transmutam em outras tantas. Há também a volta de “um precioso bom humor”, que repousava em algum canto seguro. Sentir a companhia e olhar para o que já foi ferida com superação. A dor foi maior do que a confusão, do que a vergonha, do que a raiva. Mas a dor é ainda maior quando superada, ferida que cicatriza. A fera ferida se transmuta em tranqüilidade, sem sequer consultar o perdão, mas sim na forma de compreensão da impermanência natural das condições que compõem a vida. Uma compreensão que às vezes pode vir a ser entendida como boba ou gratuita e que perderia o seu real valor não fosse tão plena. Dessa percepção surgem também investigações do que está porvir – de até onde essa saudade se mata e o que de novo ela nos traz -, mas outra lição é não pensar no porvir. Quando uma história assim se inscreve é porque aprendeu a caminhar sozinho, a exigir não mais do que serenidade e carinho. Isso tudo pra dizer o quanto significa em mim; do tanto que me faz crescer subindo degraus; do quanto participamos em idas e vindas, proximidades ou breves despedidas. Um repertório inteiro ainda por compor, dias inteiros pra mudar de cor e noites nada perdidas pra sonhar. Cooooooooooooooooooooooorta!
Escrito por Cebola às 11h38
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"Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender..." (Sol de Primavera - Beto Guedes e Ronaldo Bastos) |
Escrito por Cebola às 10h27
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Insight luminoso
O homem moderno entrega a sua luz aos domínios da tecnologia, sendo representação da imensidão de sua iluminação a crescente multiplicação de novos aparelhos eletrônicos. O homem cuidou de escravizar também o potencial revelador das águas, associando à sua beleza a satisfação por obter energia elétrica. Cada farol de carro cega a iluminação do seu motorista; cada piscante aparelho celular é roubo da iluminação do ser que conversa sadiamente; cada letreiro luminoso é esconderijo das potencialidades de criação humana, já que todas essas luzes seguem a condicionar a ampla liberdade do ser humano. A televisão, ainda que o computador venha ganhando cada vez mais espaço, é o símbolo maior dentre as invenções eletrônicas que roubam dos homens a iluminação; que roubam a nossa paz interior: sempre ali pronta pra nos gerar dúvidas, sensações desnecessárias, prazeres e angústias. Outro exemplo é o semáforo que, ao mesmo tempo que impõe uma falsa superioridade dos automóveis, regula a caminhada dos pedestres, roubando-lhes a liberdade luminosa de ir e vir..
Um coração puro é suficientemente iluminado pela luz solar, estrelar e lunar e está apto a recusar o convite à inércia promovido por outras manifestações luminosas. Isso se dá porque o homem é também iluminado pelos outros seres; pela luz da vida. Esse texto é fruto dessa luminosidade tranqüila e criativa que cada um de nós traz dentro de si, tendo sido escrito sob a vigília impertinente de uma luz amarela de ônibus. Fiat Lux!
Escrito por Cebola às 08h43
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A torcida é o show

A renovação da parceria entre a Secretaria da Fazenda e a Federação Baiana de Futebol (FBF) para o relançamento do projeto Sua Nota é um Show, é um elementar incentivo ao momento vivido pelos clubes baianos no Campeonato Brasileiro de Futebol. O programa, que buscando incentivar os consumidores a pedirem notas fiscais, troca dez cupons por um ingresso, levou milhares de torcedores baianos aos estádios. Seu relançamento é oportuno ao convidar o torcedor para participar do bom momento vivido pelos seus clubes.
Em especial para o Esporte Clube Bahia, o retorno do Sua Nota é um Show é sinônimo de casa cheia. Se com ingressos a R$ 10, aproximadamente 18 mil torcedores compareceram a Fonte Nova em jogo realizado no meio de semana de um dia chuvoso, a expectativa é grande para as partidas de domingo de plena primavera contando com a troca de ingressos. A média de público é de 27.627 pagantes nos jogos do meio de semana. Em momento decisivo da saga que vem construindo para voltar a segunda divisão, o Bahia poderá contar com um apoio ainda maior do seu 12º jogador, o que, para quem não perdeu nenhuma partida jogando dentro de casa, é animar ainda mais a festa.
No caso do Vitória, de torcida volátil, o Sua Nota é um Show não deixa de ser um estímulo. Na acirrada disputa para ascender à primeira divisão, contar com casa cheia ajuda no enfrentamento dos adversários tecnicamente mais preparados que estão por vir: Portuguesa e Brasiliense. Para o clube, o projeto terá sua reestréia na partida contra o Barueri, a ser disputada no dia 6 de Outubro.
O convite aos torcedores se faz ainda mais forte com a modificação no sistema de troca dos cupons fiscais, alvo de inúmeras críticas em competições anteriores. A mudança, a ser implementada pela Federação, prevê a reserva de ingressos por ligação telefônica, com limite de dois por número de CPF. A ligação não é gratuita e tampouco há informações sobre o sistema que foi implantado para atender a sua demanda. Garantido o ingresso, as trocas agora poderão ser efetuadas no próprio estádio na hora do jogo, mediante apresentação do documento. Dessa maneira, a atividade dos cambistas é coibida, e o torcedor, que muitas vezes deixava de ser beneficiado pelo projeto por ter de enfrentar filas, passa a ser contemplado no espetáculo do futebol.
Escrito por Cebola às 20h21
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“Sem nome; sem técnica; sem dimensão”
(pintura de Txhelo disponível em: www.fotolog.com/pontoelinha)

O perfeccionismo tem, dentre as suas diversas manifestações, um pé assentado no universo das artes. Descuidado, pode afrontar até mesmo a sua magia. A técnica necessária para se expressar, considerada válida somente pelo viés da perfeição, logo se torna viciada, impaciente e vazia. E antes de tudo a arte não é viciada ou impaciente, já que há nela muito de entrega; tampouco vazia, dada a sua capacidade de redimensionar e preencher vidas. Notável e louvável seja a geração criativa juvenil deste ínicio de século, em que o espaço para a expressão humana passou a ser considerado fundamental na busca incessante de respostas às três perguntas básicas: Quem somos? De onde viemos? E pra onde viemos?. Se hoje qualquer um se sente capaz de se manifestar artisticamente, é natural que aqueles que sempre fizeram da arte também um meio de sustento venha a protestar; para eles a arte ainda é obra de inspiração concedida pelo divino espírito santo. Aconteceu de essas técnicas se difundirem e possibilitarem a manifestação de segmentos cada vez mais expressivos. Na música, por exemplo, sempre havia alguém falando pela juventude, até mesmo no ápice do rock´n roll lá estavam as rédeas bem cuidadas da indústria que se formou a partir dele. Se não falava pela juventude, escondia dela o que de mais puro havia na produção artística daquele tempo. Foi nessa rede mundial, percebida como distribuidora de conhecimento, que a juventude encontrou tanto as técnicas necessárias para se expressar, como também passou a ter acesso a produção dos tempos correntes e passados – ainda que o tempo seja um só. É preciso ter consciência do processo que se inicia, saborear o seu frescor e lançar-se ao seu precipício de entrega: pra saber que a perfeição técnica é só um desvio do caminho iluminado da arte.
Escrito por Cebola às 09h48
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